DE 04 DE ABRIL A 20 DE MAIO

Para que eu possa ouvir


O condicional é de propósito, ele depende de você para agir. Depende de uma ação. Como o próprio nome diz, condicional é gerador de uma condição, de uma proposta, de um valor. Aqui há uma relação simples como propusemos e o sentido de se ouvir uma exposição de artes visuais. Como se ouve uma exposição que é visual?

É com o coração.
Se ouve com o silêncio ou com o barulho, da forma que você se sente melhor para refletir.

A exposição que traz artistas diversos da mais recente produção brasileira e latino-americana convida a pensar sobre uma questão fundamental, que é o conceito de alteridade. O olhar com alteridade é aquele que olha para uma pessoa e se coloca no lugar dela, e a partir desse olhar é que se pode perceber, tentar compreender uma parte do que aquela pessoa é/vive. É um processo difícil pois consiste em destruir idiossincrasias que estão enraizadas no nosso ser e proporcionar um olhar novo, aberto ao novo.


O termo alteridade vem dos estudos de Todorov, que quando escreve no livro A conquista da América sobre a colonização espanhola, descreve métodos de conquista e desbravamento para que a mimetização e aproximação das sociedades ameríndias pudessem ser colonizadas. Atualmente, o termo alteridade tem mais a ver com a relação do eu e da construção do eu coletivo, na medida em que não anula o eu e, pelo contrário, entende esse eu, interage e contribui para a sociedade como um todo.

A exemplo disso temos a transformação da educação nos últimos anos, podendo absorver questões pedagógicas em comunidades indígenas, ribeirinhas, interioranas e outras. Portanto, um olhar com alteridade se coloca no lugar do outro, se pensa no lugar do outro, tenta sentir o lugar do outro, para que possa favorecer um entendimento e respeitar melhor as diferenças.

Todos os artistas que participam desta mostra falam sobre um silêncio. Alguns de forma mais brutal como João Tolomei Opriê, no meio da floresta e em conexão com o homem natural, com a raiz daquilo que nos cerca, metaforicamente falando, como um retorno a paz. João parte da referência da natureza e do corpo nu para se apropriar do silêncio que a mata lhe proporciona, e pode incitar diversas dúvidas e questionamentos, esperando que os gritos silenciosos possam dar vazão a dor do ser no mundo capitalista, artificial e da angústia da solidão, mesmo que ela esteja no silêncio ou no caos.


Cristina Suzuki
Com familiaridade entre diferentes suportes, como a gravura, a fotografia, a pintura, o desenho e o vídeo, Cristina Suzuki soma referências que, em seu processo, se misturam e dialogam com a palavra, e com estéticas populares e eruditas.

Erica Kaminishi
Com o desenho e a escrita como essência, Erica Kaminishi os insere em um contexto híbrido. Pela pluralidade dos meios, seus trabalhos tornam-se lares imaginários – territórios designados pelo olhar da artista, traçados como um abrigo sem limites físicos e culturais.

Francisco Valdés
Com um trabalho que explora o intercâmbio entre dimensões e meios de reprodução, Francisco Valdés se apropria de imagens tiradas do eBay, livros antigos, YouTube e outros. Nos últimos anos, o resultado desta exploração tomou a forma de pinturas em grande escala.

João Tolomei Opriê
Interessa-se pelo cotidiano na natureza, no meio entre o alimento, o humano e o lugar, de uma forma a se conectar e trazer o expectador a se lembrar de si e do outro. Em meio ao silêncio, João Tolomei Opriê mixa sua forma humana às cores do ambiente em uma tentativa de mimetização.

Lecuona e Hernández
Tendo o suporte da obra como um dos principais temas de trabalho, ao estudar as estruturas que dão sentido às imagens e seus limites, Beatriz Lecuona e Óscar Hernández mergulham em uma constante investigação sobre a expansão da materialização e desmaterialização.

Renan Marcondes
Na contramão de um imaginário comum, Renan Marcondes se debruça sobre o que constitui os diversos modos de ver e nos relacionar com o mundo: matemática, desenho técnico, perspectivas, objetos cotidianos, textos, gestos socialmente codificados e a relação da palavra e do discurso.

Rodrigo Linhares
Compõe experimentações que questionam as relações entre as narrativas e os jogos de linguagem. Em uma perspectiva mais concreta, Rodrigo Linhares considera o engajamento com a imaginação do espectador a peça fundamental para a existência do trabalho, que ativa a percepção como um articulador de significados.

Thiago Toes
Entre as ruas e seu próprio ateliê, Tiago Toes segue usando a pintura como base para pesquisas com outros suportes, como papel, escultura e instalação. Em suas obras, lança um convite para a reflexão sobre outros olhares entre vida e transcendência.

Stephan Doitschinoff
Seu trabalho se desdobra entre pinturas e instalações, arte pública, vídeo e performance. O que parece ser uma narrativa visual impregnada de referências religiosas, sob um olhar mais cuidadoso, revela-se um processo de apropriação de estrutura e ressignificação dos próprios símbolos por Stephan Doitschinoff.


Sobre o curador
Douglas Negrisolli é curador de Artes Visuais, com ênfase em produção moderna e contemporânea. Doutor e Mestre em Educação, Artes e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo), Historiador pelo Centro Universitário Fundação Santo André, atualmente desenvolve pesquisas relacionadas a Salões de Arte e mercado de Artes Visuais. Produziu e curou exposições como “Thiago Toes: Celeste” (2013), na OMA Galeria, “Pierino Massenzi: trajetórias em cor” (2014), na Pinacoteca de São Bernardo do Campo e “Memórias e Ações dos Salões de Arte Contemporânea de Santo André”, premiada no edital PROAC/2014. É fundador e CEO do Artyou, software desenvolvido para Artes Visuais que funciona como um acervo virtual de obras de arte.


Serviço
Abertura: 08 de abril, das 10h às 17h.
Exposição até 20 de maio, de terça a sexta, das 10 às 19h; sábados, até as 17h.
Entrada gratuita.



CONTATE-NOS
+55 11 3868-0050 oi@adelinagaleria.com.br

Facebook Adelina Galeria
Linkedin Adelina Galeria
HORÁRIOS
Ter-Sex | 10h - 19h
Sab | 10h - 17h


Rua Cardoso de Almeida, 1285
05013-001 [Como Chegar]
São Paulo - SP - Brasil
@2017 Adelina Galeria | Todos os direitos reservados | design por tuagência